spaco
20/10/2009
FAPED acompanha caso do adolescente que teve todos os dentes extraidos
 
  
Jovem deveria passar por um procedimento para extração de dois dentes, mas acabou ficando sem os 28 que tinha na boca
Arlison Brito e Valtemir Rodrigues
A responsável pelo setor de odontologia do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) foi exonerada do cargo ontem (19).Foi a primeira ação da sindicância aberta no Hran para investigar os motivos que levou um cirurgião-dentista a extrair os 28 dentes do adolescente César Oliveira Ferreira, 17 anos.

Segundo informações da Secretaria de Saúde do DF, a profissional cometeu um erro administrativo, ao não comunicar seus superiores sobre o problema que envolveu o jovem.

O cirurgião-dentista que realizou o procedimento foi afastado das suas funções.

Entenda o caso

Uma ação será impetrada no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) para indenizar um paciente por conta de um equívoco médico durante uma cirurgia. César Oliveira, 17 anos, portador de deficiência mental, deveria passar por um procedimento para extração de dois dentes, mas acabou ficando sem os 28 que tinha na boca. O jovem estava sob efeito de anestesia geral e nada pode fazer enquanto todos os dentes eram extraídos.

A justificativa do dentista responsável para a atitude foi a constatação de uma patologia na arcada dentária do jovem. Entretanto, a mãe do rapaz, a dona de casa Maria Aldenora, relata que em momento algum chegou a ser comunicada sobre a necessidade de se fazer a extração total dos dentes. “Tinha um prontuário com o encaminhamento da médica que o atendia em outro hospital. Não tinha como errar. Mas mesmo que tivesse que extrair todos os dentes o médico tinha que me falar”, desabafou.

Maria Aldenora disse que César chegou a ser encaminhado a uma clínica na UNIP, mas a médica não conseguiu fazer a extração por conta do jovem ter muito medo. Por essa razão, encaminhou o paciente ao Hran onde a cirurgia seria feita com anestesia geral. “Ele tinha dentes grandes e bonitos, não tinha porque tirar. Depois disso está tendo até dificuldades para se alimentar e triste por conta da mudança”, relatou a mãe.

Com auxílio da Apae – Amigos dos Pais e Amigos dos Excepcionais do DF – Aldenora conseguiu advogada que permitiu entrar com processo no MPDFT pedindo indenização para realizar implantes dentários. Também estão auxiliando a família o Fórum Permanente de Apoio e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência do DF e Entorno (FAPED), que integra o Conselho de Direitos Humanos do DF e o Conselho de Saúde.

De acordo com Michel Platini, coordenador de comunicação do Fórum, a entidade deverá encaminhar também resultados de uma investigação feita pelo órgão para os conselhos Regional e Federal de Odontologia, Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa e, ainda, o Ministério Público. “Queremos que esse profissional seja responsabilizado e, dessa forma, assegurar ao adolescente o seu tratamento e a reparação de todos os seus direitos”, enfatizou.

Segundo Platini, o médico não deu nenhuma contrapartida capaz de respaldá-lo na decisão pela cirurgia como um relatório para comprovar a patologia na arcada dentária. “Garantir o direito ao César e também defender o de outros 300 mil portadores de deficiência que vivem no DF sob muita vulnerabilidade”, destacou. Ele pontuou ainda que deixar casos como esse na impunidade é um estímulo para deixar as coisas como estão.

voltar
Autor: JORNAL ALÔ BRASILIA - 20/10
 
espaço

Caixa Postal: 01853 CEP: 70081-970 - E-mail: faped@faped.org